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Em 1981 ficou decidido numa reunião do Conselho Arbitral da Federação Mineira que as rendas das partidas do Campeonato Mineiro ficariam em poder das equipes que tivessem o mando de campo. Em represália a esta decisão, Cruzeiro e Atlético, que foram voto vencido na reunião, resolveram utilizar suas equipes reservas nas partidas em que não tivessem o mando de campo, inclusive no clássico. As diretorias cumpriram a promessa nos dois clássicos que aconteceram na primeira fase. No turno a equipe reserva do Atlético empatou de 0 a 0 com a equipe titular do Cruzeiro com a presença esmagadora da torcida cruzeirense. No entanto o público foi de 38.119 pagantes. No returno a equipe reserva do Cruzeiro bateu a equipe titular do Atlético por 1 a 0 com um gol do ponta direita Jacinto com a presença esmagadora da torcida do Atlético. O público deste jogo foi de 30.149 pagantes.
As equipes se classificaram para o hexagonal final do Campeonato Mineiro e o primeiro clássico aconteceria no dia 8 de novembro. O presidente da Ademg Afonso Celso Raso resolveu solucionar o impasse e mandou confeccionar ingressos diferenciados para as torcidas de Cruzeiro e Atlético. O ingresso dos cruzeirenses seria o de cor azul e cinza e o dos atleticanos seria cor-de-rosa e preto. Assim os clubes puderam colocar suas equipes principais e o jogo ficou conhecido como "A Guerra dos Ingressos".
A venda antecipada começou na sexta feira e a expectativa de um público acima de 100 mil pagantes se confirmou a dois dias do clássico. O resultado do jogo foi o empate de um gol com Edmar marcando para o Cruzeiro e Éder empatando de pênalti para o Atlético. O público anunciado foi de 112.919 pagantes com uma renda que ultrapassou a casa dos 30 milhões de cruzeiros antigos.
No entanto a expectativa em torno do clássico ficou mesmo no duelo das torcidas. A Ademg anunciou o resultado final da venda de ingressos com o seguinte resultado: 53.896 cruzeirenses contra 52.469 atleticanos. Ainda foram vendidos 4.551 ingressos de torcedores neutros. O resultado foi comemorado pela grande massa cruzeirense como um título de campeonato.
Durante a semana, as desculpas de sempre. O lado perdedor não se conformava com a quantidade menor e o lado vencedor afirmava ter sido ainda maior. No entanto, um detalhe ainda mais curioso não foi colocado em evidência nesta discussão: o borderô da ADEMG que publicado pelos jornais. Nele estava discriminado o número de ingressos vendidos em cada setor do estádio que revelava uma diferença social entre as duas torcidas. Confira abaixo:
Arquibancadas Cruzeiro (35.126) Atlético (35.308)
Geral Cruzeiro (17.340) Atlético (14.086)
Cadeira Cruzeiro (2.152) Atlético (2.873)
Cadeira Cativa Cruzeiro (965) Atlético (2.402)
Tribunas Cruzeiro (196) Atlético (657)
Hall Cruzeiro (96) Atlético (202)
Notem que a torcida Cruzeirense se faz mais presente nos setores do estádio onde o ingresso é mais barato. O número de cruzeirenses "geraldinos" naquela tarde foi quem fez a diferença em favor do Cruzeiro. Foram 3.254 cruzeirenses a mais na Geral. Ou seja, para os irônicos a "massa cruzeirense colocou uma torcida do América a mais".
Nos setores do estádio onde o ingresso é mais caro e se evidencia um público de maior poder aquisitivo, a torcida atleticana foi esmagadora. Observem que no setor das tribunas estiveram presentes 3,5 atleticanos para cada cruzeirense. Nas cadeiras cativas foram 2,5 atleticanos para cada cruzeirense. No hall foi o dobro de atleticanos. Nas cadeiras um número de 700 a mais. Nas arquibancadas apenas 182, o que daí podemos até configurar como um empate técnico.
Ambos os presidentes, Felício Brandi (Cruzeiro) e Elias Kalil (Atlético), da época, torceram o nariz para este fato. Preferiram discutir a quantidade e não a característica de suas torcidas. Desde a década de 50, ouvimos falar que a torcida do Atlético é a do povão e que a do Cruzeiro é da elite. Aliás muitos torcedores do Cruzeiro e do Atlét
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