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Bem - vindo, Belo Horizonte,
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Joãozinho
Os franceses foram os primeiros a aplaudir de pé as diabruras daquele garoto que vestia a camisa 11 da Seleção Amadora do Brasil. Era Joãozinho, dono de uma habilidade incomum para conduzir a bola colocada ao pé direito, rente à grama, pronto para iludir o marcador com uma ginga de corpo e um drible inesperado.
Foi assim que ele apareceu no Mineirão em 1973, sucedendo a tantos pontas que marcaram época na equipe - Hílton Oliveira, Rodrigues e Lima. Ainda inexperiente, João Soares de Almeida Filho, mineiro de Belo Horizonte, ex-mecânico de automóveis, demorou a se firmar entre os profissionais. Mas, quando realizou uma sequência de jogos no time titular, nunca mais saiu; entrou para a galeria dos jogadores mais geniais que vestiram a camisa azul.
Suas atuações no Campeonato Brasileiro de 1975 levaram ao Cruzeiro à final. Em 1976, sua participação na campanha da Taça Libertadores da América foi antológica. Começou com um show de bola sobre o Internacional, no memorável jogo dos 5x4, no Mineirão. Em Lima, Peru jogou seu marcador ao chão três vezes numa mesma jogada - sem encostar nele, nem na bola. O público, admirado e incrédulo, só teve uma reação: levantou-se, jogou lenços e chapéus para o alto e aplaudiu Joãozinho. Na decisão da Taça, contra o River Plate, em Santiago do Chile, fez o gol da vitória num lance em que confirmou seu apelido - o Muleque da Toca: Nelinho preparava-se para bater uma falta, aos 42 minutos do segundo tempo, com o jogo 2x2 e, enquanto a barreira era formada, Joãozinho veio de trás e colocou a bola no canto: 3x2. Os argentinos, sem reação, só olharam para a camisa 11, correndo longe, socando o a ar , comemorando o gol do título.
Em 1981, sofreu uma grande fratura dupla exposta na perna direita, que o afastou dos campos por quase um ano. Demorou a se recuperar, esteve seis meses no Internacional de Porto Alegre e mais tarde voltou, para encantar a torcida celeste por mais um bom tempo.
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